Blog do Professor Francisco


04/12/2012


        

Créditos: Neila Rodrigues

         Paulo Afonso, nascida entre os rochedos do alto Sertão baiano, é conhecida como o “oásis do sertão”, “a capital da energia”, “a cidade que ilumina a sua”, entre outros nomes. Pode ser chamada, também, de “a capital dos ipês”. De setembro a fevereiro, temos o privilégio de testemunhar os mais belos cartões postais que em nada fica a dever à primavera europeia.

Os ipês de flores amarelas, mais comuns em nossa região, são os mais apreciados e plantados, quer pela beleza de sua floração, quer pelo menor porte, o que os torna mais adequados para cultivo. É uma das árvores brasileiras mais conhecidas e, sem dúvida alguma, uma das mais belas.

Os ipês são flores inspiradoras de puro romantismo. A exuberância de seu florescimento encantou namorados, escritores e poetas. Nenhuma outra árvore foi tão cantada em verso e prosa. São dezenas de poesias, contos e sonetos, como este de Sílvio Ricciardi:

 Ontem floriste como por encanto,
sintetizando toda a primavera;
mas tuas flores, frágeis, entretanto,
tiveram o esplendor de uma quimera.
Como num sonho, ou num conto de fada,
se transformando em nívea cascata,
tuas florzinhas, em sutil balada,
caíam como se chovesse prata...

Créditos: Neila Rodrigues

 Os ipês inspiraram até políticos que, por meio de um projeto aprovado pelo Poder Executivo, elegeram o ipê-amarelo, conhecido cientificamente por Tabebuia vellosoi, como a Flor Nacional. Em 1961, Jânio Quadros declara a flor do ipê-amarelo “flor nacional”. A árvore símbolo deste país chamado Brasil não é, portanto, o pau-brasil, mas o ipê.  

Paulo Afonso tem uma das maiores plantações urbanas de ipê-amarelo. Nossa primavera tem um sorriso áureo sem igual. Vista do alto, na primavera, a cidade é um grande canteiro amarelo. Entretanto essa beleza está com seus dias contados. Os nossos ipês agonizam e pedem socorro.

Pelo menos, duas ameaças precisam ser combatidas pelos ambientalistas e pelo poder público urgentemente.

A primeira é a insensatez de muitos cidadãos que estão derrubando as árvores, alegando que elas tomam espaço e que sujam os seus quintais e a frente de suas casas. Essa é uma estupidez desmesurada de alguns pauloafonsinos que, insensivelmente, dizimam uma beleza que é o nosso orgulho, fotografada por milhares de turistas que nos visitam nessa época.

A segunda ameaça é de ordem natural, mas que não tenho visto nenhuma ação para combater tamanha ameaça. É uma praga da conhecida família vassoura de bruxa que ataca as plantações de cacau no sul da Bahia. A praga que ataca os ipês é um parasita que se parece com ninhos de passarinhos, sugam a seiva das árvores, impedindo sua respiração, causando-lhe a morte.   

Andando por aí para fotografar as flores amarelas – o que tenho feito há anos – para minha tristeza, vi plantas que antes eram uma copa única de ipês, hoje não passam de árvores secas.

O que fazer para salvar os ipês? Sem dúvida alguma, é uma tarefa difícil para um cidadão sozinho, mas se todos que amam os ipês se juntarem, poderemos chamar a atenção dos órgãos ambientalistas e o poder público para que usem as influências e façam algo para que a nossa cidade continue tendo como cartão postal na primavera os belos ipês amarelos.

Do contrário, nossas primaveras serão sem graça, sem cor, e as gerações seguintes só poderão apreciar os ipês pelas fotografias que restarem, por algum tempo, ocupando os HDs de alguns computadores. Mas computadores têm vida útil abreviada. Não tardará, portanto, e os ipês desaparecerão para sempre.

Créditos: Neila Rodrigues



Escrito por Professor Francisco às 16h05
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