Blog do Professor Francisco


18/04/2016


Em Crise - Paciente na UTI


O Brasil vive o momento mais crucial da sua história. É uma sequência de convulsões que se agravam entre si. Como doente cujo estado de saúde se complica a cada dia, o país agoniza como paciente num corredor de hospital, morrendo por omissão de socorro. As multicrises se agravam, complicando a saúde da nação. O pior é que não vemos nenhuma ministração de uma posologia que possa erradicar essas crises às quais a nação está submissa. E são inúmeras!

Tem-se a crise moral, escondida por atrás de avanços sociais, a exemplo das manifestações em favor do aborto que tem levado muita gente a ingressar numa luta inglória e inconseqüente. Mudando-se o nome do crime, legaliza-se um assassinato ao negar o direito à vida de quem ainda nem viu a luz do Sol.

No meio da militância em favor da legalização do aborto, quase todos no mesmo time, estão os que defendem a legalização do uso das drogas e das armas como justificativa de que isso porá fim à violência no país. Esses ativistas não estão preocupados com a desagregação das famílias que o uso das drogas promove. Não estão preocupados com o caos moral e social do ser humano quando submetido à dependência química.

Na lista das crises que afetam o país, temos a crise de identidade. A luta dos ativistas de fazer popular a ideologia de gênero justifica essa afirmação. É princípio básico da ideologia de gênero que nenhuma criança nasce menino ou menina, mas aprenderá a ser o que quiser depois que experimentar os dois lados. Isso é crise de identidade. O que a criança é do ponto de vista do gênero? Ademais, rapazes que querem ser chamados por nomes femininos e vice-versa, cirurgias de mudanças de sexo, o que é isso, se não uma profunda crise de identidade?  Nossos jovens estão completamente perdidos. Já está plantado no seio da juventude que o bissexualismo é moderno e todos têm que experimentar.

Crise de identidade, entretanto, vai além. As pessoas não se reconhecem pelo que são. Procuram ser aquilo que a sociedade quer que sejam e determina como padrão. Pessoas gordas, sobretudo as mulheres, sofrem porque a ditadura da balança diz que são as mulheres magras que estão no padrão de beleza. O consumismo estabelece que só está de acordo com as exigências sociais quem anda com roupa e/ou calçados de tais marcas, assim como mochilas, bonés e celulares. Uma multidão incontável, sem condições de cumprir essas exigências sociais, sofre com isso e não se aceita pelo que são.

Ainda podemos inserir nesta lista a crise espiritual. Milhões de pessoas estão ávidas de Deus, enquanto uma meia dúzia de líderes religiosos – maus líderes, diga-se de passagem – estão a enganar, tirar proveito da boa fé de quem está buscando um conforto, um enlevo espiritual. Quantas pessoas, com sede de Deus, buscam essa sagrada água, mas caem em mãos de vilões, como os doentes que, em busca de médicos, encontram charlatões. O pior de tudo é que não há na legislação nada que possa frear essa classe de homens enganadores.

A crise política está cada vez mais reinante na sociedade brasileira. Os valores estão invertidos. Hoje vemos partidos políticos, acusados de corrupção, investirem em argumentos contra representantes da justiça que investigam agentes corruptos e corruptores. Tudo isso fazem para acobertarem seus erros. A classe política está tão desmoralizada que perdeu o crédito e o respeito das pessoas.

Na avalanche de descobertas de corrupção estrambótica, os dois lados da política estão envolvidos. Nesse contexto, algo nocivo à moralidade está acontecendo. Enquanto um lado está perdendo a queda de braço, sem argumentos para justificar as denúncias e possibilidade de perder o status do poder, apontam os erros dos que estão do outro lado, numa clara e evidente manobra de dizer “Não só somos nós. Eles também roubaram”, ou seja, eles próprios, moralmente, se nivelam por baixo. O esgoto que escorre pelos bueiros abaixo do nível das ruas é o nível a que eles se nivelam. Sem elegância, escrúpulo ou decoro essa geração política protagoniza a pior crise moral, ética e política da história do Brasil.

A falta de moralidade entre os políticos dessa geração é tão grande que eles só têm olhos para os milhões que irão deixá-los cada vez mais ricos. Sem escrúpulos nem constrangimento, eles não se importam com nada, não têm vergonha das pessoas que os elegeram. Para eles, ser acusados de ladrões não é nada grave. Faz parte do rito do processo.

Por outro lado, a sociedade tem a sua parcela de culpa. É ela quem elege tais pessoas. É a classe votante que perpetua os maus políticos no poder. É a classe eleitora que tem o poder de punir corruptos, mas não faz uso desse poder. Pelo contrário, saem às ruas em defesa dos nomes dessas pessoas. Ingenuamente, defendem-nas. São capazes de “botar a mão no fogo” por elas, afirmando veementemente que as acusações são falsas. Que os juízes devem ser presos porque estão investigando.

O que temos visto nas ruas, ultimamente, é a defesa de pessoas que estão cada vez mais devendo explicações à sociedade, mas, invés de cobrar as tais explicações, parte do povo brasileiro tem saído às ruas para defender corruptos. Transformam as avenidas e locais públicos em campos de batalhas. Temos visto o povo se xingando, agredindo-se. Ao mesmo tempo, defendem culpados e suspeitos, transformando-os em mitos e heróis. Bertolt Brecht afirmou: Infeliz a nação que ainda precisa de heróis. Triste da nação que constroi mitos para alimentar sonhos.

 

Do jeito que está, as crises provocarão o caos. O colapso parece iminente.

Escrito por Professor Francisco às 15h21
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