Blog do Professor Francisco


01/05/2016


Brava Gente Brasileira


Há algumas décadas, participar das manifestações de rua era uma ação que se restringia a estudantes, ativistas e sindicalistas. O que temos visto nos últimos dois anos e meio é uma quebra de paradigma. A sociedade está nas ruas, embora dividida, infelizmente. De um lado, uma parcela que defende o atual modelo de governo, por outro lado, os que rejeitam o governo socialista do Partido dos Trabalhadores, o PT.

Embora dividida, a população quer mudança. Os dois lados, em linguagens diferentes pedem a mesma coisa: o fim de um modelo político falido pautado em vantagens pessoais. O povo está certíssimo em ir às ruas, pois foi chamado para as manifestações a partir do momento em que os políticos traíram os anseios populares. O governo traiu o povo ao pregar um programa de governo na campanha de reeleição e aplicar outro a partir da posse.

O povo foi às ruas com heroísmo, mas pecou num ponto: preferiu defender nomes a defender idéias, propostas e ações para crescimento do país. Grande parcela preferiu e está preferindo defender pessoas, transformando-as em mitos e heróis, mesmo que suas ações, de longe, denunciem o contrário.

O povo brasileiro, todavia, está aprendendo a defender seu país. Só precisa amadurecer mais um pouco, entendendo, claro, que a luta não é contra os compatriotas e sim contra a corrupção e os maus políticos. Cada dia, fica provocado que não são vãs as palavras do no Hino Nacional Brasileiro quando diz que “um filho teu não foge à luta”.

Os dias são difíceis e ficarão mais ainda. E não apenas no Brasil, pois a crise é global, está atingindo a todos, cada país a seu tempo. Chegou a vez do Brasil, com a prestigiosa ajuda de um governo que cada dia foi se fragilizando.

Para Kevin Zamora, ex-secretário de assuntos políticos da Organização dos Estados Americanos e membro do centro de estudos sobre governança democrática The Inter-American Dialogue, a democracia global está numa crise de meia idade. É como um cara que, gordo, casado e sem horizontes na vida, decide pintar o cabelo de vermelho, comprar um conversível e ir para Cancún. Para ele, tal crise não vale só para o Brasil, onde está em curso o processo de impeachment, mas para todo o mundo.

Na opinião de Zamora, que também foi vice-presidente da Costa Rica, o que está em curso no país não é um golpe de Estado, mas a consequência legal da falta de representatividade do governo e de legitimidade do sistema de partidos.

O Brasil, ao contrário do que dizem alguns, não é um gigante adormecido. É um gigante ferido que, sangrando heroicamente, se arrasta num vale cheio de nanicos e parasitas que o sangram devagar e constantemente.

Cremos na restauração total da saúde desse gigante que se levantará vigoroso e extirpará de vez os que batalham nas sombras para serem seus algozes.

A primeira chance de salvar o Brasil virá nas eleições de outubro. Os brasileiros precisam ser criteriosos na escolha de prefeitos e vereadores. De nada adianta sair às ruas e protestar contra os maus políticos e na urna legitimar a volta dos mesmos políticos e mesmos partidos.

 

Passar a limpo um país com tamanho histórico de corrupção não é fácil, mas é possível. Demanda tempo, mas o primeiro passo pressupõe o próximo e assim por diante.

Escrito por Professor Francisco às 22h13
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